Apenas algumas viagens, sem itinerário certo. Se você embarcou, paciência. Fico feliz se você entendeu.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
Diálogos
De onde vêm tamanha imprecisão, mesmo depois de tanta repulsão?
Ora, cretinos somos todos nós, aqueles mesmos que não conseguem explicações diante dos retratos estampados em todos os outdoors da cidade.
Resultados imprecisos, frames congelados, sem iluminação adequada. Já putrefato, deveras imperfeito, não necessitava de minguação de deferência. Que enigma.
A necessidade viciosa de buscar o mal insalubre, a idiotice de não sepultar a animosidade de um ser. Já deveria estar a léguas, pois não?
Mesmo que se podendo enxergar o mundo sem fronteiras, magneticamente a visão volta a olhar por brechas minusculas.
Quanta imbecilidade, quanta infantilidade. Atitudes que deixam o ser seguro de si uma besta dominável.
Há de se cessar, de se exterminar.
Mas o que se busca é apenas preenchimento. De emoções e sentimentos perdidos, coisas que apenas os corações joviais podem desfrutar. Por segundos contados de relógio, a explosão hormonal que almas calejadas não se permitem mais sentir.
Tudo isso em busca do mesmo olhar que já fora lançado, em entardeceres inóspitos e noites lascivas. O milionésimo de tempo de um piscar de pálpebras. Tempo eternizado em memórias que são insubstituíveis.
Pobres e miseráveis devemos ser. Loucos e facínoras seremos sempre.
Maldito sejam os olhares cirúrgicos, que afetam os espíritos com profundidade de uma lança cortando a carne.
Olhar maldito.
Maldito seja.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Words are very Unnecessary
E se parecem tolas as expressões aqui colocadas, seja porque se levou primaveras demasiadas para encará-las, ou porque já não trazem nenhum tipo de interesse na informação. As palavras serão jogadas aqui, para serem testemunhadas.
Ainda que se ergam paredes, não me intimidarei diante de tão vil edificação, não serei o varrido a falar com elas, mas sim cravarei minhas letras com pitadas de expectação, nas rachaduras que o tempo se encarregará de provocar. Trago as versões mais incompreendidas, mais dúbias e remotas para ouvidos surdos, para olhares turvos, para corações envenenados. Mas trago as versões mais internas, límpidas. Sem auto-zelo, apenas deixando minha alegação fincada nas brechas abertas da intransigência atempada.
A proposito, com o proposito de calar, de evitar, de interromper propositadamente, e provocar dor, a construção desse muro não evitará que eu lhe talhe minhas emoções, Mão calejadas não temem a indiferença. Sou sagaz, e sei que a conexão impede que exista amnesia eterna em memórias impressas com ferrete.
Consulto minhas entranhas, e obtenho como resposta a confusão que foi cruzar nossos ponteiros em horários distintos. Não há convicções nem certezas, e justamente por isso fica difícil descrever. Mas não há como se furtar na tentativa de elucidá-las, no propósito de responder as indagações que me foram feitas e jamais atendidas.
Verdadeiramente, enxerguei-te inicialmente como algo temporário, como um remédio rápido para minhas enfermidades. Não me envaideço disso, muito pelo contrário, foi uma névoa de deslustro em meu caráter, e acho que isso foi determinante para tudo.
Todavia, tem de se ilustrar aqui que, franqueou-se a vontade de recomeçar, de realizar, de construção. Para uma entidade tão perdida e isolada como sou, isso era tudo que havia de riqueza em meus bolsos furados.
Não busco culpados, e os motivos são desimportantes. Me atento ao resultado. Fracassamos, cada um em sua proporção de não conseguir ser o que se cabia nos sonhos mútuos. Mesmo com toda a alquimia que se conseguia nas coisas mais simples, menos nas complexas.
A grande obra criada desse encontro desarmônico é a certeza que há nesse momento o lamento de algo que poderia ter sido estupendo.
Há de ser como felinos, em outras vivências astrais.
Que a vide lhe reserve surpresas boas, vitalidade emocional, desapego existencial. Que consigas descifrar o enigmas de seres tu, que deixes sair das tuas prisões internas a luz que habita dentro de ti. Que entendas que não existe a plenitude, seja ela para qual direção for.
Votos sinceros, repletos de ternura.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Dilapida-me
Vem.
Vem cá.
Vem logo!
Vem, que eu to com fome, to com sede, to com o diabo no couro!
Nunca te vi, mas já te espero. Não sei teu nome, mas já te venero.
Voraz, coração maldito que já apodreceu de tanto vazio. Que grita, que urra, que xinga, que bate na própria cara.
Velocidade acelerada, me açoita nas molduras noturnas, me sufoca na calma imensidão.
Basta!
Basta de tantinho.
Basta de besteira louca, de simplicidade cretina, de amores rasos, de juras descartáveis.
Aos anjos que me sopram verdades e me fazem certo e desaventurado, que me mintam, que me joguem no vácuo da cegueira, não quero mais enxergar.
Me consuma! Me aproprie! Me transforme!
Seja cítrica, seja vulcão, seja tempestade, apenas seja!
E quando chegares, se tiveres que ir, que se vá! Mas deixe em mim gravada tua marca, algo que me sirva de alimento, de sustento, de escora.
Me faça valer a pena, antes que as luzes se apaguem, antes que tarde seja.
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