Celebremos, principalmente quando nos enganamos.
Se outrora tínhamos a obtusa firmeza das negatividades, há de se celebrar nossos mais deliciosos equívocos quanto a isso.
Quando nos afogamos em nossa amargura e estamos convictos dos nossos desígnios malgrados, o acaso e a fortuna magicamente contradizem nossas certezas e fazem o brilho no olhar resplandecer para curar nossa cegueira emocional.
Pois sim, a morte é a ausência de sentimento, e no presente encontro-me vivo. Não há preocupações sobre a simetria e reciprocidade, efetivamente, neste momento eu só quero comemorar o fato de sentir.
São coisas dessa inexplicável escola da vida, a qual sou um grato aluno. Os tolos e bobos sorrisos voltaram, mesmo sem a devida certificação da retribuição, hoje me basta sorrir. Amanhã eu me preocupo com as letras miúdas da paixão.
E se para os gregos antigos as musas eram entidades para inspiração da ciência e das artes, a minha serve para cultivar em mim os meus melhores sentimentos, e a ela sou imensamente grato.
Mergulho nesse oceano de incerteza, sem nenhum medo ou receio, mesmo sem saber nadar. Não busco uma boia de salvação. É justamente essa imprecisão que torna o desconhecido ser maravilhosamente adocicado.
Mesmo outrora tendo experimentado de sentimento parecido, sempre parece que é a primeira vez, e isso não tem preço.
Rogo que minha sorte seja felicitada, mas já me sinto agraciado.
